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As serpentes são répteis que formam um grupo com mais de 4000 espécies espalhadas globalmente! São animais com corpo prolongado e sem membros, e tapume de ¼ das espécies são peçonhentas, ou seja, são animais que possuem estruturas especializadas, uma vez que presas, para injetar o veneno ativamente na vítima.
Animais venenosos diferem dos peçonhentos: enquanto os venenosos apresentam substâncias tóxicas ao serem ingeridos ou manuseados (uma vez que algumas espécies de sapos), os peçonhentos são capazes de injetar o veneno diretamente por meio de ferrões, presas ou outros mecanismos especializados (uma vez que cobras, escorpiões e aranhas).
O Brasil abriga uma vasta flutuação de serpentes, incluindo espécies peçonhentas e não peçonhentas. Dentre as serpentes perigosas brasileiras, destacam-se quatro: as corais, jararacas, surucucus e cascavéis!
Cada uma dessas serpentes possui características biológicas e ecológicas distintas, muito uma vez que venenos com composições químicas específicas que influenciam diretamente sua periculosidade e o tipo de tratamento necessário em incidentes com humanos.
Os principais grupos de serpentes incluem: Pythonidae, que abrange as pítons; Boidae, onde estão as jiboias; Viperidae, que inclui as víboras; Elapidae, que reúne as najas, corais-verdadeiras, serpentes marinhas e mamba-negra; e, por termo, Colubridae, a maior família, que engloba as corais-falsas – que não são peçonhentas.
Quais são as maneiras de identificação das serpentes peçonhentas?
Algumas características permitem diferenciar espécies desses grupos de serpentes. Uma das principais é a presença de fossetas labiais ou fossetas loreais, estruturas sensoriais que detectam variações de temperatura. As fossetas labiais são vários orifícios ao longo dos lábios, enquanto as loreais aparecem isoladas, uma de cada lado da cabeça, entre o olho e a narina.
Esses órgãos estão presentes exclusivamente em serpentes peçonhentas, embora nem todas as espécies peçonhentas os possuam. Assim, quando uma serpente possui um orifício entre o olho e a narina em ambos os lados da cabeça, uma vez que as jararacas, cascavéis e surucucus, há uma indicação de peçonha. Entretanto, essa propriedade não é exclusiva; por exemplo, as corais-verdadeiras não possuem fossetas loreais.
Outro método, mais multíplice, para identificar serpentes peçonhentas é pela estudo da odontíase, que se divide em quatro tipos:
- Áglifa: com dentes de tamanho e formato semelhantes, uma vez que nas jiboias;
- Opistóglifa: com uma presa maior que os demais dentes para inoculação de veneno posicionada na secção ulterior da boca, uma vez que ocorre nas corais-verdadeiras;
- Proteróglifa: em que a presa maior está localizada na secção anterior da boca;
- Solenóglifa: um tipo muito característico de serpentes peçonhentas, com um par de presas grandes e retráteis, únicas no maxilar, uma vez que nas jararacas.
Quais são as serpentes mais peçonhentas do Brasil?
Jararacas
As jararacas (gênero Bothrops) habitam áreas de florestas, campos e até áreas urbanas de quase todo o Brasil, com maior concentração no Sudeste e Sul. Têm coloração que varia do verde-oliva ao marrom, com manchas em zigue-zague pelo corpo.
Seu veneno possui ação proteolítica e coagulante, causando necrose, hemorragias e inchaços intensos nos locais de picada. A potência do veneno é subida, sendo o responsável pela maioria dos acidentes ofídicos no país, em privativo pela proximidade das jararacas com áreas habitadas e seu temperamento mais “estressado”.
Surucucus
Conhecida também uma vez que pico-de-jaca, a surucucu (Lachesis muta) é a maior serpente venenosa das Américas, podendo atingir mais de 3 metros de comprimento. Habita regiões de floresta tropical, principalmente na Amazônia e na Mata Atlântica, e seu status é de vulnerável até risco de extinção, dependendo do estado. Tem um corpo robusto com escamas ásperas e padrão de coloração em forma de losangos pretos e marrons.
Seu veneno tem ação neurotóxica e hemorrágica, provocando sintomas uma vez que dor, inchaço e necrose, além de efeitos sistêmicos menos intensos que outras serpentes, mas ainda perigosos devido ao tamanho da serpente.
Pelo vestimenta de esses animais preferirem ambientes mais úmidos e isolados, os acidentes são mais raros, mas quando ocorrem podem ser graves e em áreas remotas, dificultando o entrada a tratamento.
Cascavéis
As cascavéis (gênero Crotalus) são encontradas principalmente em áreas secas, uma vez que o Encerrado e a Caatinga, mas também em regiões de campo e floresta. São reconhecíveis pelo chocalho na rabo e pela coloração marrom-amarelada com padrões em losango.
Seu veneno é um dos menos potentes entre as serpentes brasileiras cá citadas, no entanto, continua sendo extremamente perigoso, possuindo ação neurotóxica e miotóxica, causando paralisia muscular e insuficiência respiratória, além de efeitos coagulantes. Acidentes com cascavéis, embora menos comuns que com jararacas, tendem a ser graves devido aos sintomas neurológicos.
Coral-verdadeira
As corais-verdadeiras (gênero Micrurus) habitam áreas de floresta, campos e áreas de transição, uma vez que o Encerrado, em várias partes do Brasil. Têm um padrão de coloração característico, com anéis vermelhos, pretos e brancos ou amarelos, no entanto, esse padrão varia muito e são frequentemente confundidas com corais-falsas, que não apresentam risco.
Seu veneno é o mais potente entres as serpentes citadas, no entanto, seu comportamento recluso e mais “assustado” reduz a frequência de acidentes, geralmente ocorrendo quando as serpentes são manipuladas diretamente.
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O que é o soro antiofídico para picada de serpentes?
O soro antiofídico é utilizado no tratamento de picadas de serpentes venenosas. É produzido a partir da coleta de veneno de serpentes, injetado em pequenas doses em animais de grande porte, geralmente cavalos, para desenvolverem agentes de resguardo contra o veneno.
Em seguida um período de imunização, o sangue dos animais é coletado, e os anticorpos são extraídos e purificados para imaginar o soro. Cada tipo de soro é específico para as proteínas e toxinas dos venenos de determinadas espécies, o que significa possuir diferentes soros para diferentes serpentes.
Para as principais serpentes peçonhentas do Brasil, existem soros específicos: o soro para picadas de jararaca e cascavel é espargido uma vez que soro antibotrópico (pentavalente) e anticrotálico. Já o soro para a coral-verdadeira é egrégio, sendo denominado soro antielapídico, devido à elaboração dissemelhante do veneno dessa serpente. E por termo, para as surucucus, há o antibotrópico-laquético.
O Instituto Butantan, localizado em São Paulo, é uma das principais instituições responsáveis pela produção de soros antiofídicos no Brasil. Além de produzir e repartir os soros para hospitais públicos e privados, o Butantan também realiza pesquisas e desenvolve novas tecnologias para o tratamento de acidentes ofídicos, contribuindo significativamente para a saúde pública no país. O instituto também tem um site onde é provável encontrar diversas informações essenciais para entender mais sobre o tema!
O que você deve fazer se for picado por uma ofídio?
Em caso de picada, é importante manter a calma e buscar atendimento médico imediatamente. Para facilitar a identificação da espécie e o tratamento adequado, recomenda-se consignar características visíveis da serpente, uma vez que coloração e padrões, ou tirar uma foto – além de evitar manuseios e tentativas de tomada.
O diagnóstico preciso é fundamental para a gestão do soro antiofídico correto, aumentando as chances de recuperação e diminuindo os riscos de complicações.
Reportagem publicada inicialmente em 08/12/2024
Manancial: Olhar Do dedo
