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sexta-feira, janeiro 23, 2026

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Problema da dívida pública está nos juros, não no déficit, diz Haddad

O ministro da Herdade, Fernando Haddad, defendeu nesta segunda-feira (19) que o problema da dívida pública brasileira decorre do patamar ressaltado dos juros reais da economia [taxa nominal descontada a inflação] e não do excesso de gastos públicos.

“Em dois anos, nós reduzimos em 70% o déficit primordial. O problema da dívida tem a ver com o lucro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo”, pontuou, em entrevista ao programa UOL News. 

“Inclusive, a meta para esse ano é uma meta ainda mais exigente de resultado primordial do que foi o ano pretérito, do que foi o ano retrasado e do que foi o primeiro ano de governo. Nós estamos subindo o sarrafo das exigências”, acrescentou o ministro.

De harmonia com Haddad, mesmo considerando todas as exceções fiscais, com o ressarcimento dos descontos indevidos dos trabalhadores do INSS, o déficit do ano pretérito ficou em 0,48% do Resultado Interno Bruto (PIB), o que demonstraria, em sua visão, que o problema não é o déficit.

“Se você pegar o déficit projetado para 2023 do [governo Jair] Bolsonaro, dividindo pelo PIB do ano, você tem um déficit superior a 1,6% do PIB. E quanto foi o déficit do ano pretérito, considerando todas as exceções? Foi de 0,48%, isso considerando todas as exceções porquê o Projecto Brasil Soberano, por culpa do tarifaço, e a questão do INSS, que nós devolvemos numerário para os lesados pela quadrilha que se apropriou do INSS”.

Queda de juros

Na entrevista ao Uol News, o ministro defendeu que há espaço para que a taxa básica de juros, a Selic, atualmente estabelecida em 15%, seja reduzida. “Óbvio que, quando me perguntam [sobre esse tema], eu falo que tem espaço para trinchar [os juros] porque eu acho que tem.”

Mesmo defendendo essa redução, Haddad fez elogios à atuação de Gabriel Galípolo na presidência do Banco Médio. Para o ministro, o presidente do BC enfrenta uma série de problemas, porquê o escândalo do Banco Master, e está sabendo porquê conduzir essas questões. “Eu dizia que ele herdou um problema que só vai ser sabido depois. Ele herdou um problema que é o Banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. O Banco Master não aconteceu na gestão atual, o Galípolo descascou um abacaxi. E descascou o abacaxi com responsabilidade”, elogiou o ministro.

Ao elogiar Galípolo, principalmente com relação ao escândalo do Banco Master, Haddad destacou que o BC deveria assumir a fiscalização dos fundos de investimentos, tarefa que atualmente é exercida pela Percentagem de Valores Mobiliários (CVM).

O ministro disse que apresentou uma proposta, que está sendo discutida no contexto do Executivo, para ampliar o perímetro regulatório do Banco Médio.

“Tem muita coisa que deveria estar no contexto do Banco Médio e que está no contexto da CVM, na minha opinião, equivocadamente. O Banco Médio tem que ampliar o seu perímetro regulatório e passar a revistar os fundos.”.

Para o ministro, há uma intersecção muito grande entre fundos e finanças. o que impacta até sobre a contabilidade pública, por exemplo. “A conta remunerada, as compromissadas, tudo isso tem relação com a contabilidade pública”, disse.

Taxad

Questionado durante a entrevista sobre um sobrenome que lhe deram nas redes sociais, onde vem sendo chamado de Taxad por culpa do aumento de tributos, Haddad respondeu que não se importa com isso e que fica feliz em ser lembrado porquê o ministro que taxou os mais ricos.

“Fico muito feliz de ser lembrado porquê o único ministro da Herdade dos últimos 30 anos que taxou offshore, que taxou fundo familiar fechado, que taxou paraíso fiscal e que taxou dividendo. A taxação BBB saiu do papel: banco, bet e bilionário foram taxados. Portanto, eu assumo que essa turma que não pagava imposto, sim, voltou a remunerar.”

Economia e eleições

Durante a entrevista, o ministro disse ainda que a economia não será um fator decisivo para as próximas eleições presidenciais no país – e nem mesmo no restante do mundo.

“A economia no mundo inteiro está sendo um elemento muito importante, mas não necessariamente decisivo para lucrar ou perder uma eleição”, afirmou o ministro.

Segundo ele, pesquisas tem apontados outros temas entre os temores nacionais, tais porquê segurança pública e combate à depravação.

Haddad também disse que não pretende se candidatar a qualquer incumbência público nas próximas eleições e que vem conversando sobre isso com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que essa questão ainda não foi definida.

Manancial: Filial Brasil

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