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quinta-feira, fevereiro 5, 2026

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Cartilha une saberes de terreiros e prevenção do câncer em negras

O Instituto Pátrio de Cancro (Inca) lançou a silabário Saúde com Axé: mulheres negras e prevenção do cancro. O livro, disponível na internet, explica quais são os tipos de cânceres mais frequentes entre o gênero feminino preto e quais hábitos diários podem aumentar ou diminuir as chances de ter a doença. O material também explica porquê o racismo e o racismo religioso contra praticantes de religiões afro podem dificultar o aproximação ao diagnóstico e ao tratamento.

Com imagens de mulheres e famílias negras em destaque e referências à mitologia iorubá, a silabário do Inca, em forma de conversa, destaca, por exemplo, o poder da amamentação na prevenção do cancro de úbere. O material também indica sinais de alerta para o cancro de tripa e explica sobre a transmissão do cancro de pescoço de útero, que ocorre pela via sexual.

As figuras das yabás, as orixás femininas, são apresentadas porquê referência para inspirar o autocuidado e uma vida plena. Assim, a silabário incentiva também hábitos saudáveis, além de lembrar da urgência de fazer os exames periódicos. A detecção precoce ainda é a principal forma de combater o cancro. No material, as mulheres encontram os principais exames para cada período da vida.

Elaborada para circundar nos terreiros, a silabário foi escrita por pesquisadoras do Inca porquê um dos resultados da pesquisa Promoção da Saúde e Prevenção do Cancro em Mulheres Negras, realizada entre 2023 e 2025, junto com mulheres das casas de candomblé Ilê Axé Obá Labí e do Ilê Axé Egbé Iyalodê Oxum Karê Adê Omi Arô. A primeira fica em Pedra de Guaratiba, na zona sudoeste do Rio de Janeiro e a segunda, em Novidade Iguaçu, na Baixada Fluminense.

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Na silabário, é explicado ainda porquê o racismo pode aumentar o risco de adoecer, dificultar o aproximação aos serviços e ao tratamento, por exemplo, por conta do mito de que mulheres negras aguentam mais a dor que as demais. 

Mas há outras formas de discriminação que afastam esse público dos serviços de saúde, explica Iyá Katiusca de Yemanjá, do terreiro Obá Labí, que participou da redação da silabário.

“Na clínica da família onde a gente é atendida, quando a gente pede pra ser nomeada pelo nosso nome [da religião], a gente escuta provocação: ‘de onde você tirou esse nome?”, reclama a Iyá. 

Em Pedra de Guaratiba, ela lidera um programa de saúde popular e de aproximação a direitos, desimpedido a toda comunidade, no terreiro de candomblé.

“Os terreiros sempre promoveram a saúde”, lembra a sacerdote. “Temos os banhos [de ervas], as lavagens, os chás, o modo de viver, temos um desvelo privativo com a saúde íntima da mulher”, explica Katiusca de Yemanjá. 

“A gente entende o corpo por inteiro. Principalmente, das mulheres negras de periferia que acabam se cuidando menos, por motivo da sobrecarga [de trabalho], portanto, o que a gente faz é fortalecer esse corpo para buscar os serviços”, afirmou.

Coordenadora-geral da Rede Pátrio de Religiões Afro-brasileiras e Saúde (Renafro), Mãe Nilce de Iansã labareda a atenção também da discriminação contra a indumentária das pacientes nos atendimentos. 

“Tem muitos casos de hospitais querendo que as pessoas tirem seus fios de conta para examinar o pé, a mão, desnecessariamente. Nós não usamos os fios de conta porquê enfeite, mas porquê proteção”, explicou, acrescentando que “se eu vou fazer uma consulta que o fio de conta não atrapalha em zero, tenho que permanecer com ele”.

Para a Mãe Nilce, que se tratou de um cancro de pulmão no próprio Inca, no Rio de Janeiro, o racismo religioso é um determinante social na vida das mulheres negras, ou seja, uma exigência que vai além da genética e tem a ver com o envolvente em que vivem.

Os saberes, rituais e práticas religiosas ancestrais podem funcionar porquê suporte, tanto na promoção da saúde, levando informações corretas, quanto no protecção daquelas mulheres diagnosticadas com a doença.

“Os terreiros são locais de protecção, desvelo e solidariedade, espaços de cultura e de religiosidade afro-brasileira”, afirmam as autoras da silabário do Inca. “Aproximar esse universo dos saberes técnicos pode nos ajudar a prevenir doenças, porquê o cancro, e foi o diálogo proposto na silabário”, completam.

Nascente: Dependência Brasil

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