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domingo, janeiro 25, 2026

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Cronologia da tentativa de golpe: atentados, bloqueios e acampamentos

As imagens da depredação das sedes dos Três Poderes da República, em 8 de janeiro de 2023, que completa três anos nesta quinta-feira (8), correram o mundo e entraram para a história porquê uma das páginas mais dramáticas e sombrias da trajetória da democracia brasileira.

Naquela tarde nublada de domingo, em Brasília, milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas urnas dois meses antes, marcharam pela Esplanada dos Ministérios, cruzaram um bloqueio policial e invadiram o Congresso Pátrio, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federalista (STF), destruindo tudo o que viam pela frente.

Ali, eles reafirmavam um pedido que ecoava em segmentos extremistas da sociedade: queriam um golpe de Estado para depor o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito democraticamente, e naquela profundeza empossado havia somente uma semana no função.

 

Apoiadores de Bolsonaro invadem e depredam as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 – Foto: Marcelo Camargo/Registro Dependência Brasil

Esse momento é o marco culminante da chamada trama golpista, um conjunto de atos e movimentações, alguns muito coordenados entre si, outros mais isolados, que buscavam, em última instância, romper com a ordem democrática e manter o grupo bolsonarista no poder.

O projecto de ruptura, segundo a denúncia da Procuradoria-Universal da República (PGR) que levou à pena de Jair Bolsonaro e aliados no STF, começou a ser esboçado ainda em 2021, poucos dias depois de Lula ter renovado sua elegibilidade. Foi naquele momento que o núcleo da organização criminosa passou a cogitar de o logo presidente da República passar a reptar e a violar a decisões do STF e tutorar a teoria de deslegitimar o processo eleitoral brasiliano em caso de vitória do contendedor de Bolsonaro.

Quando o cenário da guia eleitoral bolsonarista se materializou no pleito de 30 de outubro de 2022, uma série de ocorrências, incluindo episódios de violência, atos terroristas e protestos golpistas, passou a se suceder pelo país. A seguir, a Dependência Brasil reconstitui esses fatos, de forma cronológica, ocorridos no pausa entre o termo das eleições e o fatídico 8 de janeiro.

Bloqueios de rodovias

Caminhoneiros bloqueiam rodovia no Paraná em protesto contra a guia de Bolsonaro no segundo vez das eleições – Foto: Rodolfo Buhrer/Registro Reuters/Direitos reservados

Em uma das eleições presidenciais mais acirradas da história brasileira, Lula venceu Jair Bolsonaro com 50,9% dos votos válidos, contra 49,1%. O resultado não foi muito digerido pelos apoiadores do logo presidente – nem por ele próprio, que demorou dois dias para se manifestar, e o fez de forma ambígua, alimentando as especulações golpistas.

Naquela mesma noite de domingo, enquanto apoiadores de Lula festejavam pelo país, grupos de caminhoneiros e apoiadores de Jair Bolsonaro iniciaram bloqueios de rodovias em diversos estados. Foram mais de milénio interdições totais ou parciais em estradas federais, segundo a Polícia Rodoviária Federalista (PRF) mapeou na quadra. Os bloqueios atingiram o auge nos primeiros dias de novembro, fazendo com que Bolsonaro viesse a público pedir pela desobstrução das rodovias, marcando sua primeira revelação pública depois o resultado das urnas. Naquela enunciação, ele agradeceu aos votos, mas não parabenizou o contendedor pela vitória.

Os bloqueios, que chegaram a originar alguns problemas pontuais de desabastecimento e cancelamento de voos em aeroportos, foram perdendo força ao longo dias posteriores ao segundo vez, até serem encerrados ainda no termo da primeira semana de novembro.

Acampamentos em quartéis

Posteriormente os bloqueios rodoviários se enfraquecerem, grupos bolsonaristas começaram a montar acampamentos em frente a quartéis das Forças Armadas em cidades porquê Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Salvador, Recife e municípios do interno, exigindo mediação militar e questionando a legitimidade das eleições.

Polícia e Tropa se concentram em frente ao QG do Tropa, em Brasília, para desmobilização de acampamento bolsonarista, em 9 de janeiro de 2023 – Foto: Marcello Parelha Jr./Registro Dependência Brasil

Foram mais de 100 acampamentos, incluindo o que se tornou o mais importante deles, montado em frente ao Quartel-General (QG) do Tropa, na capital federalista, de onde partiriam os manifestantes que depredaram a Terreiro dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

Diferentemente dos bloqueios em rodovias, em que Bolsonaro veio a público pedir que os apoiadores parassem com essas intervenções, os acampamentos golpistas, porquê ficaram conhecidos, tiveram aval direto do logo presidente da República, segundo consta na denúncia da PGR que acabou prevalecendo no julgamento do STF. De negócio com a denúncia, a estratégia seria usada porquê justificativa para uma eventual mediação. Uma das provas teria sido a própria nota dos comandantes das três forças autorizando a manutenção da permanência das pessoas na frente dos quartéis por ordem de Jair Bolsonaro.

A estratégia dos acampamentos em quartéis deu fôlego para o movimento golpista. Esses locais se transformaram em verdadeiros centros de conspiração e contaram com a indiferença e mesmo conivência de autoridades. A logística para a manutenção desses espaços, que contavam com estruturas de alimento e alojamento para milhares de pessoas, foi depois objeto de processo judicial no STF que condenou envolvidos diretos nessas montagens.

>> Ouça material próprio na Radioagência Pátrio

Atos terroristas e violência política

Manifestantes apoiadores de Bolsonaro colocam queimação em carros e ônibus na capital federalista na noite de 12 de dezembro de 2022 – Foto: Adriano Machado/Registro Reuters/Direitos Reservados

A tensão nos acampamentos golpistas, a negativa de reconhecimento da guia e até uma ação do PL, partido de Bolsonaro, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para invalidar votos de segmento das urnas eletrônicas foram engrossando o caldo golpista ao longo de novembro e início de dezembro de 2022. No último mês daquele ano, as ações começaram a escalar para a violência política explícita.

No dia 12 de dezembro, data em que Lula foi diplomado no TSE para assumir o função de presidente da República, em posse que ocorreria poucas semanas depois, Brasília viveu uma de suas noites mais violentas em décadas. Manifestantes apoiadores de Bolsonaro tentaram invadir a sede da Polícia Federalista (PF) na cidade e iniciaram um protesto que, por volta das 22h, chegou a fechar o Setor Hoteleiro Setentrião e segmento do Eixo Monumental, zona mediano da capital. Foram incendiados diversos carros e ônibus, em cenas que chocaram o país pelo intensidade de vandalismo e violência política.

Na véspera de Natal, no dia 24 de dezembro, o motorista de um caminhão-tanque de combustível, parado nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília, percebeu um artefato explosivo no veículo e alertou policiais da superfície, no que se revelou uma tentativa de atentado a petardo organizado por apoiadores de Bolsonaro que também estavam no acampamento golpista do QG do Tropa. A tragédia só não foi consumada porque o explosivo falhou.

Dois dos envolvidos foram condenados pela Justiça do Província Federalista ainda em 2023, por crimes de explosão, incêndio e posse de arma de queimação. De negócio com as investigações, eles pretendiam originar um incidente de grande comoção social e precipitar uma mediação militar no país.

Explosivo é encontrado em caminhão-tanque nas proximidades do Aeroporto de Brasília, em 24 de dezembro de 2022 – Foto: Adriano Machado/Registro Reuters/Proibida reprodução

No termo de do ano pretérito, George Washington de Oliveira Sousa, Alan Diego dos Santos Rodrigues e Wellington Macedo de Souza, os três envolvidos na tentativa de atendado no aeroporto, se tornaram réus no STF pelos crimes de associação criminosa, supressão violenta do Estado Democrático de Recta, tentativa de golpe de Estado e atentado contra a segurança de transporte distraído.

Os episódios de violência de dezembro de 2022 elevaram ainda mais o nível de tensão, e as autoridades prepararam um possante esquema de segurança para a posse de Lula, no dia 1º de janeiro de 2023. O evento popular, no entanto, ocorreu sem intercorrências, o que, naquele momento, pode ter pretérito uma sensação de tranquilidade, que iria ser quebrada exatamente uma semana depois, nos atos golpistas de 8 de janeiro.

Por memória e democracia

Para observar a data, eventos especiais em obséquio da democracia marcam os três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro. No Palácio do Planalto, o presidente Lula participa de uma cerimônia com autoridades e representantes da sociedade social ainda pela manhã. O evento ocorre todos os anos para substanciar os valores democráticos depois a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes.

O Supremo Tribunal Federalista também preparou uma programação próprio dentro da campanha Democracia Inabalada.

Manancial: Dependência Brasil

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