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Sabe aquele fenômeno clássico em que, poucas semanas posteriormente o início das aulas, uma vaga de resfriados atinge as famílias? O que antes era atribuído exclusivamente ao contato próximo entre as crianças agora ganha uma explicação científica surpreendente que revela o verdadeiro “dom” de sobrevivência desse patógeno.
Um estudo brasiliano recente, realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e detalhado pela Filial FAPESP, revelou que o rinovírus – o principal vilão dos resfriados no mundo – possui uma estratégia de persistência muito mais esperta do que se imaginava.
Longe de ser exclusivamente um visitante passageiro, ele tem o talento de se “esconder” e continuar se multiplicando nas amígdalas e adenoides, mesmo quando a pessoa não apresenta um único esternutação.
Além da superfície: a invasão dos linfócitos
Tradicionalmente, a ciência classifica o rinovírus porquê um vírus lítico: ele invade as células superficiais da gasganete e do nariz, usa o maquinário celular para se reproduzir e depois rompe a célula para se espalhar, gerando aquela inflamação que todos conhecemos. No entanto, o grupo coordenado pelo virologista Eurico de Arruda Neto, da FMRP-USP, descobriu alguma coisa novo.
Segundo informações divulgadas pela Filial FAPESP, o vírus consegue penetrar em camadas mais profundas dos tecidos linfoides e infectar células de resguardo específicas: os linfócitos B e T CD4.
Dissemelhante das células da mucosa, que morrem rapidamente, esses linfócitos têm vida longa. Em vez de destruí-los, o rinovírus estabelece uma relação de persistência, agindo de forma semelhante a vírus porquê o do herpes ou o HPV. Ele permanece ali, tristonho, mas em plena atividade replicativa.
Uma “quintal de vírus” na gasganete
A investigação analisou amostras de 293 crianças submetidas a cirurgias para retirada de amígdalas ou adenoides. O oferecido impressionante é que, embora todas estivessem assintomáticas no momento da operação, o rinovírus foi detectado em quase metade dos voluntários (46%).
O professor Eurico de Arruda Neto utiliza uma metáfora curiosa para descrever o fenômeno: esses tecidos funcionam porquê uma “quintal de vírus”.
- O lado positivo: essa presença permanente pode servir porquê um “treinamento” contínuo para o sistema imunológico, reforçando a memória de resguardo do corpo.
- O lado negativo: essa suplente viral explica por que crianças aparentemente saudáveis podem “semear” o vírus em ambientes escolares, iniciando surtos de forma insuspeita.
Impactos na asma e em diagnósticos imprecisos
A invenção, apoiada por projetos da FAPESP, traz alertas importantes para a prática clínica. Para crianças com asma, por exemplo, essa persistência viral nos linfócitos pode ser o gatilho para crises pulmonares inflamatórias, já que substâncias produzidas na gasganete podem repercutir nos pulmões.
Ou por outra, a pesquisa levanta um ponto crucial sobre diagnósticos. Muitas vezes, um teste positivo para rinovírus em uma rapaz com sintomas graves pode ser exclusivamente o “vírus residente” aparecendo no examinação, enquanto a justificação real do problema (porquê o vírus sincicial respiratório ou uma bactéria) passa despercebida.
“Pode ser que os testes feitos nas secreções nem sempre reflitam o que de roupa está ocorrendo no pulmão”, alerta Arruda em entrevista à Filial FAPESP.
O risco para transplantados
Outra hipótese que o grupo agora investiga é a reativação interna. Em pacientes que passam por transplantes e ficam com a isenção baixa, o vírus não precisaria vir “de fora” através de um médico ou visitante; ele já estaria lá, escondido nas amígdalas do próprio paciente, aguardando uma queda na guarda do sistema imune para se manifestar.
Esta pesquisa não exclusivamente muda o que sabemos sobre o resfriado geral, mas abre portas para novas estratégias de tratamento e prevenção em populações vulneráveis, consolidando o papel da ciência brasileira na vanguarda da virologia mundial.
Manancial: Olhar Do dedo
