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terça-feira, fevereiro 3, 2026

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Estudo explica diferença de sintomas entre febre do Oropouche e dengue

Um estudo desenvolvido por pesquisadores brasileiros durante um surto de febre do Oropouche no país, em 2024, pretende facilitar no diagnóstico e na diferenciação de sintomas entre essa doença e a dengue, mormente em regiões onde elas circulam juntas.

Chamado de Perfis clínicos e laboratoriais da doença do vírus Oropouche no surto de 2024 em Manaus, Amazônia Brasileira, e publicado na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases, o estudo apontou que os sintomas da febre do Oropouche são muito semelhantes aos da dengue.

No entanto, destacou Maria Paula Mourão, médica pesquisadora da Rede Colaborativa de Vigilância Ampliada e Oportuna (Revisa), a pesquisa apontou que há algumas diferenças importantes entre elas, que nem sempre são facilmente percebidas pela equipe clínica.

“No Oropouche, a dor de cabeça costuma ser mais intensa, as dores articulares são mais frequentes, e as manchas na pele tendem a ser mais disseminadas. Também observamos alterações laboratoriais mais significativas, uma vez que aumento recatado de enzimas do fígado, e diferenças na resposta do sistema imunológico”, disse Maria Paula, em entrevista à Filial Brasil.

“Já na dengue costuma ocorrer mais subtracção das plaquetas, risco maior de sangramentos e de choque. Mesmo assim, só os sintomas não são suficientes para diferenciar com segurança uma doença da outra”, acrescentou.

De pacto com a pesquisadora, é muito difícil para a população em universal e também para os profissionais da saúde diferenciarem as duas doenças somente pelos sintomas que provocam.

Por isso, ressalta ela, o mais importante não é fazer essa diferenciação, mas estabelecer um zelo e um tratamento que sejam eficientes contra esses sintomas.

“Mais importante do que saber o nome da doença é reconhecer rapidamente os sinais de sisudez, uma vez que dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, confusão mental ou piora progressiva do estado universal e buscar o serviço de saúde mais próximo”, alertou.

Ela acrescentou que gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas precisam de um zelo ainda mais discreto quando apresentam febre, mesmo que os sintomas pareçam leves no início. “Nesses grupos, a recomendação é procurar avaliação médica precoce e não esperar a piora do quadro”.

 

Mosquito maruim, transmissor da febre do Oropouche Foto: Parecer Federalista de Farmácia/Divulgação

Linhagem de maior virulência

O trabalho foi transportado por um grupo de pesquisadores brasileiros e é resultado da Rede de Vigilância em Saúde Ampliada (Revisa), organizada com esteio do Instituto Todos pela Saúde (ItpS).

Esse estudo acompanhou pessoas com doença febril aguda que buscaram atendimento na Instauração de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), em Manaus (AM).

Os pacientes foram acompanhados por até 28 dias, com avaliação clínica, exames laboratoriais e testes específicos para dengue, oropouche e outras arboviroses.

Durante esse trabalho, os pesquisadores também concluíram que o surto que ocorreu em Manaus foi provocado por uma linhagem reordenada do Oropouche, já detectada em anos anteriores, mas com características de maior virulência e replicação, o que pode explicar a intensidade e o alcance do surto de 2024.

“Identificamos que o vírus que circulou em Manaus em 2024 pertence a uma linhagem que já vinha circulando no Brasil, mas que passou por modificações genéticas ao longo do tempo. Isso sugere transmissão lugar contínua”.

A pesquisadora explicou que essas mudanças podem ter contribuído para a intensidade do surto, mas não são o único fator — questões ambientais, climáticas e a presença do vetor também têm papel importante.

 

Combate a focos do mosquito da dengue. Foto: José Cruz/Filial Brasil

A febre do Oropouche

A febre do Oropouche é causada por um vírus que é transmitido principalmente pelo mosquito Culicoides paraensis, mais publicado uma vez que maruim ou mosquito-pólvora, incidente em todo o país.

Depois de pungir uma pessoa ou bicho infectado, o vírus permanece no inseto por alguns dias. Portanto, quando o inseto pica uma pessoa saudável, ele pode infectá-la com o vírus.

Pesquisadora do Instituto Todos pela Saúde (ItpS), Bárbara Chaves explica que dengue e febre do oropouche são arboviroses, doenças causadas por vírus transmitidos por insetos.

“A dengue é uma doença bastante conhecida pelos brasileiros, com a qual convivemos há muitos anos. Tem subida incidência no Brasil, principalmente devido à riqueza do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Isso se deve ao clima favorável para a proliferação do mosquito e à propriedade urbana dessa espécie”, ressaltou.

Já a febre do Oropouche, lembrou a pesquisadora, ficou mais conhecida no país a partir de 2024, quando passou a ser notificada também em outros estados brasileiros.

“Essa dissipação e aumento no número de casos de febre do Oropouche podem ter ocorrido por um conjunto de fatores, uma vez que mudanças no uso da terreno, incluindo desmatamento e desenvolvimento agrícola”, esclareceu.

Para Bárbara, a subtracção de do número de casos de ambas as doenças depende de melhorar o diagnóstico e o monitoramento.

“Em relação à dengue, podemos diminuir a incidência com o combate ao mosquito transmissor, ou seja, com a eliminação dos criadouros. Há também estratégias já adotadas em algumas cidades, uma vez que o método Wolbachia [tecnologia que consiste em inserir a bactéria Wolbachia em alguns mosquitos para impedir que os vírus dessas doenças se desenvolvam dentro do mosquito], além da vacina contra o vírus”, disse ela.

No entanto, no caso do Oropouche, o combate é um pouco mais complicado, já que o mosquito que provoca a doença se reproduz em ambientes naturais, úmidos e ricos em material orgânica em desagregação.

“Há medidas que podem ajudar a saber e responder melhor a essas duas doenças, uma vez que monitorar a evolução dos vírus para identificar diferentes linhagens e melhorar o diagnóstico diferencial entre as duas doenças, principalmente em regiões onde ambos os vírus circulam”.

Manadeira: Filial Brasil

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