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domingo, fevereiro 8, 2026

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pressão por fim dos combustíveis fósseis escancara impasse global

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A COP30, realizada em Belém, termina com mais perguntas do que respostas. Embora esta sexta-feira (21) fosse o prazo solene para o fechamento das negociações, o cenário indica que os debates devem se estender pelo término de semana. O motivo vai além do incêndio nas instalações do evento: a polêmica exclusão do trecho que previa o término do uso de combustíveis fósseis do rascunho do convenção final causou indignação global e reacendeu um embate histórico entre ciência, diplomacia e interesses econômicos.

Lideranças políticas e ambientais, porquê a União Europeia, já ameaçaram vetar o texto caso não haja mudanças. Especialistas ouvidos pelo Olhar Do dedo apontam que, embora a COP30 tenha sido simbólica e inovadora em diversos aspectos, ela também escancarou o maior travanca das últimas décadas: o poder de influência da indústria fóssil nas decisões climáticas.

Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) – Brasil, Amazônia. (Imagem: DOERS / Shutterstock.com)

A exclusão do “planta dos combustíveis fósseis” — sobrenome oferecido ao projecto de eliminação do petróleo, gás e carvão — não é unicamente uma pouquidade; para os cientistas, é um sinal de que o planeta caminha para o colapso climatológico com os olhos muito abertos.

Combustíveis fósseis: o “elefante na sala” que finalmente apareceu

“[O elefante] ficou perdido de quase todas as outras 29 COPs e agora ele está explícito em cima da mesa”, afirmou ao Olhar Do dedo News o físico Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, coordenador do Meio de Estudos Amazônia Sustentável da USP e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Um dos principais especialistas brasileiros em mudanças climáticas, Artaxo acredita que o rascunho apresentado hoje reflete diretamente a atuação do lobby das indústrias de petróleo, que pressionam os países a evitarem qualquer convenção que ameace seus lucros.

A dificuldade de incluir os combustíveis fósseis nas decisões é o maior impasse da COP30 (Imagem: gualtiero boffi / Shutterstock.com)

Apesar disso, o técnico avalia que o simples vestimenta de o tema estar no meio das discussões já representa um progresso. “É imprevisível saber quem vai lucrar no término, mas o que eu acho é que é importante que o elefante no meio da sala tenha aparecido […] isso eu considero que já é um ponto positivo”, declarou. Ele destaca que mais de 80 países pressionam pela reinclusão de metas para o término do uso de combustíveis fósseis no texto final.

Carlos Superior: “Sem trinchar fósseis, vamos rumo a um ecocídio”

O climatologista Carlos Superior, também da USP e copresidente do Pintura Científico para a Amazônia, foi ainda mais direto. Em entrevista ao Olhar Do dedo News, ele classificou porquê positiva a inclusão no rascunho de metas para zerar o desmatamento até 2030 e promover a regeneração das florestas tropicais. No entanto, chamou de “grande vazio” a pouquidade de qualquer referência à eliminação dos combustíveis fósseis.

O nosso documento dizia, idealmente, zerar o uso de combustíveis fósseis em 2040, não mais que em 2045, para não deixar a temperatura do planeta aquecer demais, não deixar em 2050, por exemplo, chegar a dois graus, que isso vai ser um ecocídio, um suicídio ecológico.

Carlos Superior, climatologista, Professor Titular da Cátedra de Clima e Sustentabilidade da Universidade São Paulo e copresidente do Pintura Científico para a Amazônia

Pesquisador destaca que estamos a caminho de um ecocídio se o planeta não rumar para a eliminação do uso de combustíveis fósseis (Imagem: anne-tipodees / Shutterstock.com)

Superior relatou que, durante a COP, o recém-criado Pavilhão de Ciência Planetária apresentou estudos científicos e promoveu debates com ampla participação pública. O grupo entregou aos negociadores um documento propondo metas claras para desabitar os combustíveis fósseis até meados do século. Ele também destacou que, a partir de abril de 2026, um novo pintura científico de transição energética será lançado, com base em uma reunião internacional na Colômbia.

Avanços reais: financiamento e valorização das florestas tropicais

Apesar do impasse climatológico, os especialistas concordam que a COP30 produziu avanços relevantes. Artaxo cita porquê exemplo o fundo TFFF (Florestas Tropicais para Sempre), que ganhou novo fôlego com o aporte de € 1 bilhão (tapume de R$ 6,1 bilhões) da Alemanha, somando agora mais de US$ 6 bilhões. O fundo visa financiar países em desenvolvimento na preservação de florestas, porquê as nações da Bacia do Congo e do Sudeste Asiático.

Outro ponto positivo foi a consolidação de mecanismos de financiamento para a transição energética. Embora o fundo global de adaptação ainda esteja longe da meta de US$ 1,3 trilhão por ano, o reforço em relação à COP anterior indica uma tendência de prolongamento, principal para que países em desenvolvimento acelerem sua descarbonização.

Muitas vezes é muito mais barato você trinchar emissões ajudando países em desenvolvimento a implementarem a sua transição energética do que alterarem complexos processos e infraestrutura em países desenvolvidos. Logo, além de tudo, é um bom negócio.

Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, coordenador do Meio de Estudos Amazônia Sustentável da USP e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

Fundo que financia países em desenvolvimento na preservação de florestas ganhou fôlego durante a COP30 com novos investimentos (Imagem: Gino Tuesta/iStock)

O Brasil será um dos países mais atingidos pela crise climática

A urgência de ações concretas é ainda mais evidente para países tropicais porquê o Brasil. Segundo Artaxo, os modelos climáticos indicam que, se o mundo seguir no ritmo atual de emissões, a temperatura média global pode subir 2,8 °C, mas o Brasil enfrentaria até 4,5 °C de aumento.

Vocês podem facilmente imaginar o que é um aumento de 4,5 graus em Palmas, em Teresina, em Cuiabá ou em Belém, nascente impacto é muito maior do que um aumento de 4 graus em Estocolmo, em Montreal ou em Moscou…

Paulo Artaxo

Esse cenário colocaria o país entre os mais vulneráveis do planeta, mormente em áreas já fragilizadas por desmatamento, pobreza e infraestrutura precária. O oração do presidente Lula na orifício da COP, defendendo o término dos fósseis e a proteção das florestas, foi elogiado por especialistas, mas agora o foco está em prometer que essa posição seja refletida no documento final.

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Uma COP histórica, mas que ainda pode fracassar

A COP30 marcou a história por vários motivos: foi a primeira realizada em uma floresta tropical, contou com participação inédita da sociedade social e abriu espaço para temas porquê saúde, seguros e povos indígenas. Segundo Artaxo, o evento já é considerado um sucesso em termos de mobilização e inovação temática.

“Nós tivemos 195 países formalmente participando, e nós tivemos mais de 42 milénio participantes…”, afirmou Ataxo. “O presidente desta COP permanecerá nesse missão por um ano, e o mensageiro [André] Corrêa do Lago já deixou muito simples que, independente do documento final […] ele vai trabalhar ao longo de toda a sua presidência da COP em cima da questão de perfazer com os combustíveis fósseis no planeta porquê um todo.”

Lideres posam para a foto de familia durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (Imagem: COP30)

Mas para que a COP30 entre para a história porquê a mais importante de todas, o consenso é simples: o texto final precisa sofrear um roteiro simples para a eliminação dos combustíveis fósseis.

“Na minha opinião, o documento final tem que sofrear pelo menos uma proposta de rota para o término de combustíveis fósseis,” concluiu Ataxo. “E se isso intercorrer, esta COP provavelmente vai ser a mais importante das 30 COPs realizadas até agora. Porque pela primeira vez a gente colocou o dedo na ferida, porque nós só estamos enfrentando essa emergência climática por culpa da indústria de combustíveis fósseis, não há outra razão.”


Manancial: Olhar Do dedo

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