27 C
Lauro de Freitas
sábado, agosto 30, 2025

Buy now

Riscos modificáveis estão associados a quase 60% dos casos de demência

Fatores de risco modificáveis foram associados a quase 60% dos casos de demência no Brasil por um estudo liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Segundo os pesquisadores, as três condições evitáveis com maior impacto são:

  • baixa escolaridade no início da vida,
  • perda da capacidade visual não tratada, 
  • depressão.

Os fatores de risco modificáveis são aqueles que podem ser evitados ou atenuados por políticas públicas, intervenções de saúde ou iniciativas individuais de prevenção. Isso os diferencia do envelhecimento e da predisposição genética, por exemplo, que também influenciam na incidência da doença.

Estudos populacionais mais recentes, do Relatório Pátrio sobre a Demência, do Ministério da Saúde, estimam que entre 12,5% e 17,5% da população idosa no Brasil tenham alguma forma da doença, que se torna mais importante conforme aumenta o percentual de brasileiros nessa fita etária.

“Estratégias de saúde pública podem levar a reduções mais substanciais e equitativas na prevalência e na incidência da doença e devem ser priorizadas, com foco peculiar no aproximação educacional desde a puerícia, no desvelo oftalmológico conseguível e na ampliação dos serviços de saúde mental, sobretudo para populações em situação de vulnerabilidade”, concluem os pesquisadores, em item publicado leste mês na sessão Regional Health Americas, da revista científica The Lancet.

>> Siga o meato da Dependência Brasil no WhatsApp

A pesquisa estimou a imposto de cada um dos 14 fatores de risco modificáveis para a demência, utilizando dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), coordenado pela Universidade Federalista de Minas Gerais (UFMG) e pela Instalação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A soma de todos eles pode ser associada a 59,5% dos casos de demência, proporção supra da média mundial, que é de 45%.

Fatores de risco modificáveis

A baixa escolaridade na temporada inicial da vida foi o fator modificável com a maior porcentagem de associação a casos de demência, 9,5% de casos; seguida pela perda visual na vetustez, com 9,2%; e pela depressão na meia-idade com 6,3%.

Os outros 11 fatores modificáveis que aumentam o risco de demência, segundo a pesquisa, são:

  • isolamento social;
  • poluição do ar;
  • traumatismo cranioencefálico;
  • hipertensão arterial;
  • diabetes;
  • obesidade;
  • falta de atividade física;
  • tabagismo;
  • consumo excessivo de álcool;
  • perda auditiva;
  • colesterol saliente.

A influência da instrução no início da vida está relacionada à suplente cognitiva: durante o tirocínio, os neurônios criam novas conexões, o que aumenta a capacidade do cérebro de gratificar danos no horizonte. Os estímulos cognitivos também explicam porque a perda visual tem tanto impacto:

“O nosso cérebro integra as informações que nós recebemos do meio extrínseco, através da audição e da visão, com as informações que a gente já sabe do mundo. E, a partir disso, a gente programa uma resposta. Portanto, quando a gente tem uma perda visual, segmento da nossa estimulação cerebral cessa. A gente deixa de enxergar coisas que nos ajudariam a melhorar a nossa memória e estimular nosso cérebro”, complementa a professora de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP, Cláudia Suemoto, uma das autoras da pesquisa.

Esse mesmo mecanismo também pode explicar a influência da depressão. “Quando a pessoa está deprimida, ela não sente vontade de fazer coisas novas, de estimular o cérebro com novos desafios. Uma outra explicação, mais biológica, é que o desbalanço de neurotransmissões, que acontece na depressão, poderia, a longo prazo, levar à perda neural. Portanto, existem essas duas hipóteses, que provavelmente não são concorrentes, as duas devem ter impacto.”

A proporção brasileira foi maior do que a média mundial em 10 fatores, incluindo os três principais. Para os pesquisadores, isso demonstra “uma vez que as desigualdades socioeconômicas e o aproximação inadequado à instrução e aos cuidados de saúde mental podem contribuir para o risco de demência“. As exceções foram perda auditiva, colesterol saliente, isolamento social e consumo excessivo de álcool.

Políticas públicas preventivas

Outrossim, a pesquisa identificou que a imposto da baixa escolaridade e da perda visual não tratada foi maior nas regiões mais pobres do Brasil e entre as pessoas negras, tanto em relação à média pátrio, quanto em confrontação com regiões mais ricas e pessoas brancas.

A professora de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP enfatiza que as descobertas apontam medidas de prevenção, que podem ser tomadas individualmente, mas devem, principalmente, fundamentar políticas públicas.

“No Brasil, nós estamos envelhecendo rapidamente, e o aumento da idade é o principal fator de risco para demência, mas esse não é modificável ─ enquanto estivermos vivos, estaremos envelhecendo. Não há país no mundo que consiga mourejar com uma população envelhecida que tenha uma subida prevalência de demência. Por isso, a prevenção é principal.”

“A gente pensa em demência uma vez que uma doença da vetustez, porque ela é muito mais frequente em seguida os 65 anos. Mas a prevenção começa cedo e deve ser feita em vários momentos da vida”, alerta Cláudia Suemoto. 

A geriatra defende que os gestores devem olhar para esses fatores ─ uma vez que baixa instrução, depressão e risco cardiovascular ─ e planejar intervenções e programas de saúde pública que ajudem e informem a população.

“Ao aumentar a escolaridade, tratar a depressão, diagnosticar e tratar pressão subida, diabetes, colesterol, perda visual, perda auditiva, também se previne a demência”, complementa a professora da USP.

*Colaborou Ana Cristina Campos

Manadeira: Dependência Brasil

Related Articles

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Stay Connected

0FansLike
0FollowersFollow
0SubscribersSubscribe
- Advertisement -

Latest Articles